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Quem são os santos juninos ? Você já ouviu falar de Fernando de Bulhões e Taveira de Azevedo? Não? Mas Santo Antônio você conhece! Santo Antônio nasceu em Lisboa, por volta do ano de 1195. Em 1210, pediu ingresso no Mosteiro de São Vicente de Fora, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. Em 1220, transferiu-se para a Ordem dos Frades Menores, com o nome de Antônio (Santo Antão, em latim Antonius, padroeiro do convento dos frades de Coimbra, onde ingressou), influenciado pelo trabalho que São Francisco de Assis - eram contemporâneos - vinha desenvolvendo nessa ordem. Em 1222, foi ordenado sacerdote, se revelando um grande pregador contra as injustiças e as desordens sociais, a exploração dos pobres e a má vida de certos setores do clero. Sua fama de pregador e milagroso era tanta que, dez meses após sua morte - que segundo o Livro dos Milagres ocorreu no dia 13 de junho, em Pádua, de problemas decorrentes de asma e diabetes, quando contava 36 anos de idade - foi canonizado e recebeu o título de Doutor da Igreja. Sua sepultura, na Basílica de seu nome, em Pádua, é um centro de peregrinações. A imagem de Santo Antônio, que Portugal transpôs para o Brasil, é a do protetor dos pobres e necessitados, daquele que socorre as vítimas de injustiças e está sempre ao lado dos mais humildes. Mas há também um lado guerreiro do santo, que tornava e evocação do seu nome, arma contra os perigos do combate. No Brasil, seu papel de militar foi importante também, dadas as inúmeras guerras e revoltas durante as quais era invocado. E tanto fez ao lado das forças armadas brasileiras que recebeu patente e mesmo soldo, em várias companhias do exército brasileiro . Recebeu ainda, por esta razão, o apoio dos militares com dinheiro e prestígio, às suas igrejas, obras e festas. É incontável o número de homenagens a Santo Antônio como igrejas construídas em seu louvor, nomes de ruas, praças, pessoas etc., na história e geografia brasileiras. A sua devoção chegou juntamente com os Franciscanos e trazia duas formas de invocação: para uns era Santo Antônio de Lisboa, em referência ao local onde nasceu; para outros era Santo Antônio de Pádua, referindo-se ao lugar onde morreu e foi sepultado. No entanto, ficou mais conhecido como santo casamenteiro, porque diz a lenda - que envolve partes de sua vida - que, quando ainda era um estudante no mosteiro em Portugal, protegia as moças pobres que não tinham dinheiro para o dote. Saía à rua pedindo esmolas, que eram dadas às famílias dessas moças e se convertiam no dote, que lhes garantiria o casamento. Segundo Gilberto Freire, a escassez de portugueses na colônia, sublinhou o valor do casamento ou mesmo da procriação (com ou sem o casamento), o que tornou populares os santos padroeiros do amor, da fertilidade e das uniões. Assim, os grandes santos nacionais tornaram-se, à época, aqueles aos quais a imaginação popular atribuía milagrosa intervenção capaz de aproximar os sexos, fecundar mulheres, proteger a maternidade, como Santo Antônio, São João e São Pedro. A crença de que Santo Antônio se "devidamente" invocado, perturbado com pedidos de todo tipo e até mesmo "torturado", arranja casamento, mesmo para a mais sem graça das moças, é muito difundida e é a qualidade mais prezada do santo durante as festas juninas. São João também já teve estas funções, e também São Gonçalo (que continua sendo invocado com esta finalidade, no interior do Brasil, principalmente por mulheres mais velhas, solteiras ou viúvas). São João, segundo a Bíblia, era filho de Zacarias e Isabel, e foi quem batizou Jesus Cristo, com as águas do rio Jordão. Daí vem o nome Batista, o "batizador". A história bíblica descreve Isabel, sua mãe, como prima de Maria, a mãe de Jesus. Segundo os Evangelhos, foi João Batista quem anunciou Jesus Cristo como o Messias. Em suas pregações costumava criticar o rei Herodes Antipas por ter se casado com a mulher - Herodíades - do próprio irmão. Como o profeta era um líder religioso muito venerado pelo povo, o rei temia executá-lo; resolvendo, então, prendê-lo, pois essa era uma forma de mantê-lo calado. Herodíades, no entanto, desejava livrar-se definitivamente dele. Um dia, durante um banquete no palácio, a filha de Herodíades - Salomé - dançou para o rei e o encantou, levando-o a prometer-lhe qualquer coisa que pedisse. Herodíades convenceu a filha a pedir a cabeça de João Batista. Embora contrariado, Herodes cumpriu sua promessa e mandou decapitar o profeta, entregando sua cabeça a Salomé, em uma bandeja. João Batista foi o profeta que anunciou a chegada eminente de um novo reino, renovando a promessa feita por Deus aos patriarcas do Antigo Testamento. Foi com ele que a missão profética, desenvolvida através de oração e penitência no deserto, atingiu sua plenitude para chamar os homens à conversão. Por sua austeridade e fidelidade cristã, ele é considerado como o último dos profetas e o primeiro dos apóstolos, formado na escola do rio Jordão. Ele cumpriu plenamente sua vocação profética e, através de um gesto de carinho, o próprio Cristo demonstrou o seu agradecimento, deixando-se batizar por João. São João é o santo mais festejado no Brasil, principalmente no nordeste, onde acontecem várias festas em sua homenagem. Além de também possuir fama de santo casamenteiro é tido como tendo o poder de encontrar objetos perdidos; além de ser o protetor dos casados e enfermos, no que se refere a dor de cabeça e de garganta. São João é festejado com os símbolos que evocam o seu nascimento : fogueira, mastro, fogos, capelinha, palha e manjericão. São Pedro, ainda segundo a Biblia, originalmente chama-se Simão, era natural da Galiléia, das margens do mar de Tiberíades, filho de Jonas e pescador de profissão - sócio de uma pequena frota de barcos pesqueiros. Durante um período de baixa estação de pesca encontrou Jesus, que viu nele um homem autoritário, impulsivo, entusiasmado, franco, bondoso e extremamente generoso. Jesus, então, elegeu-o um de seus escolhidos e o rebatizou de Cefas (pedra, em aramaico) - Pedro - em função de sua firme liderança. A partir desse dia, Simão não seria mais pescador de peixes, mas sim de novos homens, aquele a quem Jesus teria entregue o seu rebanho e a missão de liderar a sua igreja. É considerado o primeiro papa da Igreja Católica, guardião das chaves do céu e responsável pelas chuvas. Foi executado por ordem do imperador Nero, entre os anos 64 e 67 da era cristã; tendo sido crucificado, conta a lenda, que pediu para o ser de cabeça para baixo, a fim de não se assemelhar, na morte, à Jesus. O dia 29 de junho, dia dedicado a São Pedro - antigo dia da festa de Rômulo e Remo, considerados pais de Roma - marca o encerramento das comemorações juninas. Neste dia se dá o roubo do mastro que será devolvido no final de semana mais próximo, para garantir a extensão das comemorações juninas por mais alguns dias. Sintra
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