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Mui Nobre e Sempre Leal Cidade de Lisboa

História Breve

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ARMAS, BRASÃO E BANDEIRA DE LISBOA

Muito antes de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, ter dado o primeiro foral à cidade de Lisboa, em Maio de 1179, já esta cidade possuía uma vastissíma história.
Os ocupantes fenícios que habitavam o monte onde se encontra actualmente o Castelo de S. Jorge, chamavam a sua colónia de Alis ubbo. Aquando da ocupação romana, em 205 A.C., o seu nome passou a ser Felicitas Julia.
Após a passagem dos povos nórdicos, nomeadamente dos visigodos, a permanência árabe deixou vestígios indeléveis. Desta época remonta o nome de Aschbouna, enquanto os lusitanos, habitantes originais desta zona da Península Ibérica, sempre conheceram esta povoação por Olisipone ou Olissipo, facto que a fértil imaginação dos povos prontamente associou a uma passagem do mítico herói Ulisses por estas paragens.
Com toda esta vastíssima história, é perfeitamente natural que a cidade de Lisboa já possuísse um símbolo algum tempo antes da criação oficial deste. De facto, a insígnia da cidade era simplesmente uma nau, tal como em inúmeras outras cidades ribeirinhas, possuindo apenas ligeiras diferenças a nível de desenho. Assim, para além da nau, Lisboa seria representada por duas aves, um corvo e uma águia, à proa e à popa da embarcação, respectivamente.
Com o tempo, este brasão transformou-se e as aves que adornavam a nau passaram a ser, simplesmente, dois corvos. A explicação correntemente aceite para tal facto reporta-se à nau que transportou os restos mortais do mártir S. Vicente, que viajou do Algarve para Lisboa numa nau, sempre acompanhada por dois corvos que a protegeram e indicaram o caminho seguro até ao destino.
A partir do reinado de D. Manuel, a cidade de Lisboa passou a utilizar um escudo bi-partido, tendo do lado direito as armas reais e na parte superior esquerda a nau com os dois corvos, por cima da divisa do monarca - a esfera armilar, o escudo e a coroa real. Foi apenas em 1897 que a cidade requisitou um alvará que lhe concedesse oficialmente um brasão de armas. Mais recentemente, em 1940, chegou-se à representação actual do brasão de armas da cidade de Lisboa:
"de ouro, com um barco exteriormente de negro, realçado de prata e interiormente de prata realçado de negro, mastreado e encordado de negro com uma vela ferrada de cinco bolsas de prata. A popa e a proa rematada por dois corvos de negro, aprontados, leme de negro realçado de prata. O barco assente num mar de sete faixas onduladas, quatro de verde e três de de prata. Coroa mural de ouro de cinco torres. Colar da Torre e Espada, listal branco; com os dizeres: 'Mui nobre e sempre leal cidade de Lisboa', de negro".

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PRAÇA DO COMÉRCIO - CRUZ QUEBRADA

 

A grande sala de visitas de Lisboa e uma das mais belas praças da Europa, é a Praça do Comércio, também conhecida por Terreiro do Paço. Na Praça do Comércio há que admirar a sua vastidão (quatro hectares), rodeada de arcos, o Arco Triunfal da Rua Augusta, concebido depois do terramoto de 1755, a famosa Estátua  Equestre de D. José, e o Cais das colunas. 

Sempre na direcção Poente situa-se a 100 metros o edifício dos Paços do Concelho (1874 ), digno de visitar-se pela sua galeria, salão nobre e dependências recheadas de boas obras de arte. O Pelourinho foi erguido depois do Terramoto. Do lado do Sul o antigo Arsenal da Marinha . O Cais do Sodré e Praça Duque da Terceira, esta com a sua estátua, fazem o átrio da grande Avenida 24 de Julho . Actualmente, esta zona da cidade é, com os seus inúmeros bares e discotecas, o ponto de eleição da vida nocturna   lisboeta. Do lado Sul situam-se as vastas instalações do Porto de Lisboa (docas, cais, oficinas, armazéns, gares marítimas) e que se prolonga até  Belém.

A Rocha do Conde de Óbidos com sua escadaria e alto Jardim, conduz ao Museu Nacional de Arte Antiga (antigo Palácio Alvor),com um edifício novo ligado ao núcleo antigo. Admiram-se nele obras de arte de nome universal, os painéis famosos de Nuno Gonçalves, a custódia de Belém de Gil Vicente e milhares de espécimes preciosos. Perto situa-se o Palácio dos Marqueses de Abrantes (Embaixada de França), e nesta zona o popular bairro da Lapa . 

Seguindo pela Pampulha a linha dos eléctricos entra-se no bairro de Alcântara. Nele, a Norte, se situa o Palácio  das Necessidades (Ministério dos Estrangeiros), a Tapada das Necessidades. Seguindo para Poente, tomando a Calçada da Tapada, encontra-se Tapada da Ajuda (antiga Tapada Real), e nela o Instituto Superior de Agronomia e o Observatório Astronómico.  

Passando pelo bairro do Calvário chega-se a Santo Amaro, onde se ergue a curiosa ermita deste Santo, recheada de preciosa cerâmica de azulejos. A estação os eléctricos da Companhia Carris ocupa os terrenos que foram dos Condes da Ponte, de cujo palácio há vestígios. A Junqueira corre paralela, pelo Norte, à Avenida da Índia.  

Chega-se finalmente a Belém. Neste bairro os monumentos e curiosidades não faltam. O Palácio Nacional de Belém, século XVIII, antigo Paço Real, junto à Praça Afonso de Albuquerque. Junto,  o famoso Museu Nacional dos Coches, dos melhores da Europa no género, onde se admiram  belos exemplares dos séculos XVII e XVIII. Tomando pela Calçada da Ajuda, no qual se situam o Jardim Colonial e o formoso Jardim Botânico, vai dar-se ao Palácio da Ajuda, antigo Paço Real e onde, em dezenas de salas, se recolhem  admiráveis obras de arte e  mobiliário; nos átrios magníficas estátuas, algu mas de Machado de Castro.

Anexo ao edifício temos a  Biblioteca da Ajuda, e perto, a Torre do Galo da Ajuda. Voltando abaixo, à linha dos eléctricos, encontra-se na Praça do Império o Mosteiro dos Jerónimos (século XVI), um dos mais belos exemplares da arquitectura gótico-ma nuelina e da renascença, com os seus pórticos admiráveis, na qual se encontram os túmulos de Vasco da Gama e de Camões, com os claustros e galerias maravilhosas, em renda de pedra e lavores, e a capela de Alexandre Herculano.

Não longe dos Jerónimos, sobre o Tejo, depara-se a Torre de Belém, maravilha de renda em pedraria, com suas balaustradas, salas, baldaquilhos, balcões, baluartes. Continuando para poente chega-se a Algés e Dafundo; aqui é da visitar o magnífico Aquário Vasco da Gama, museu de espécies marítimas.   

 

PRAÇA DO COMÉRCIO - POÇO DO BISPO

Oriente Marítimo

O segundo itinerário nasce na Praça do Comércio. Logo na Rua da Alfândega, à esquerda, encontra-se a Igreja da Conceição Velha que foi antes a famosa Igreja da Misericórdia (século XVI), arruinada pelo Terramoto, e da qual se escapou o Pórtico. Na Rua dos Bacalhoeiros, situa-se a Casa dos Bicos, parte do que foi o palácio construído por Afonso de Albuquerque; a fachada principal ergue-se do lado posterior.

Numa derivante, pode tornar-se, pela Rua da Padaria, o caminho da Igreja da Sé, que remonta a 1147, ano da tomada de Lisboa aos Mouros. Admiram-se nela as naves, restauradas já no actual século, a capela de Bartolomeu Joanes, o deambulatório e capelas góticas de D. Afonso IV, o Claustro de D. Diniz, e a fronteira, torres, janelas e muralha. Perto a Igreja de Santo António (que foi a Casa de Santo António da Câmara de Lisboa), cobre os destroços de um anterior templo majestoso.

Voltando à linha dos eléctricos na Rua da Alfândega encontra-se, à direita, o Arco Escuro, uma das portas do histórico e pitoresco Bairro de Alfama. Este bairro é uma das grandes curiosidades da Lisboa antiga; nele avultam restos de muralhas na Judiaria, a Torre de Alfama, moura, no Largo de S. Miguel, pórticos, cunhais, restos de velhos palácios, as igrejas de S. Miguel e de Santo Estêvão, becos, betesgas, arcos, escadinhas, beiradas, miradouros e pátios. O Largo do Chafariz de Dentro é o átrio natural do Bairro, que se estende quase até a São Vicente, pelo sítio do Salvador.

As Portas do Mar, o Arco de Jesus, o Arco do Rosário, este no Terreiro do Trigo, constituem curiosas portas de acesso ao Bairro de Alfama.

Seguindo para Oriente encontra-se o antigo Arsenal do Exército, hoje Museu Militar ou de Artilharia, que reúne, além de magnificas espécies militares e históricas, uma boa colecção de obras de arte. O Pórtico nascente do Museu é obra do actual século. No trajecto para Oriente, passada Santa Apolónia, situa-se a grande mole que é o antigo Mosteiro de Santos-o-Novo, dos Comendadores de Aviz, na Cruz da Pedra, com bela Igreja e famoso claustro, obra do século XVII.

Não longe, e sempre na linha dos eléctricos, depara-se o monumento da Igreja de Madre de Deus, uma das mais belas de Lisboa, antigo convento dos Claristas (1509), fundado pela Rainha Dona Leonor. O pórtico primitivo sobre a rua (antiga estrada de Enxobregas), cheios de preciosos quadros e opulentos de ouro e de talha, a igreja, com seus painéis de azulejo, a sacristia - são lugares de maravilha artística.

Prosseguindo por Xabregas e Beato, o Palácio-Museu da Mitra (século XVII), da Câmara de Municipal, e que pertenceu à Mitra Patriarcal, restaurado por D. Tomaz de Almeida. Nele se encontram belos quadros de arte e linda colecção de azulejos.

A viagem termina naturalmente no Poço do Bispo, de onde se pode subir a Marvila e tomar o caminho de Braço de Prata e Olivais, e onde se observa, agora,  o parque da Expo98.

 

 

BAIXA - AVENIDAS - BENFICA

Norte – Noroeste

 

No Rossio, situa-se o Teatro Nacional (1846), edificação concebida por Almeida Garrett. É, depois do S. Carlos, o mais belo de Lisboa.

Na Praça dos Restauradores situa-se o Palácio Foz, hoje da Câmara Municipal de Lisboa, com a sua fachada (XVIII), rica escadaria, amplas salas e dependências novas. Foi mandado construir pelo Marquês de Castelo Melhor.

A Avenida da Liberdade, aberta em 1887, termina no Parque Eduardo VII, que data do começo do século e onde se situa a Estufa Fria. Da Praça do Marquês de Pombal, esta com a sua estátua, toma-se o caminho das grandes avenidas deste século.

Na Avenida Fontes Pereira de Melo, tomamos a primeira derivante deste itinerário. Em Palhavã encontra-se o palácio da Azambuja (século XVII), que foi dos Condes de Sarzedas e Marqueses do Louriçal, hoje Embaixada de Espanha. É conhecido por "Palácio dos Meninos de Palhavã" (filhos naturais de D. João V que aqui residiram). Na estrada de Benfica, à direita, está o Jardim Zoológico no Parque das Laranjeiras, cujo palácio, no topo, que foi dos Condes de Farrobo, é hoje do Estado. O Jardim é um dos melhores encantos de Lisboa. S. Domingos de Benfica ostenta o Palácio dos Marqueses de Fronteira (século XVII), com mata frondosa, jardins, salões revestidos de boa cerâmica historiada de azulejos, lagos, galerias, constituindo o melhor conjunto palaciano de Lisboa. A estrada de Benfica está rodeada de quintas e bons palácios, e em S. Domingos encontra-se o túmulo de João das Regras, na igreja local.

A segunda derivante deste itinerário parte da Praça Duque de Saldanha, e leva, pelo Nascente, à Lisboa moderna, onde se levantam edifícios culturais imponentes (Estatística, Casa da Moeda, Liceu Filipa de Lencastre, Instituto Superior Técnico).

A Igreja de Nossa Senhora de Fátima, numa derivante da Avenida da República, é um belo templo moderno, com magnificas obras de arte sacra de escultores e pintores da geração de 30.

A Praça de Touros do Campo Pequeno (1882), tem uma área de 5 mil metros quadrados, foi traçada em estilo mourisco, e é das melhores da Península.

No largo Dr. Afonso Pena ergue-se o Palácio que foi dos Távoras e dos Galveias, hoje da Câmara Municipal (museu, arquivo e biblioteca), constituindo um precioso documento de arquitectura solarenga do século XVII.

O Monumento da Guerra Peninsular é uma majestosa composição de grupos escultóricos (1932), obra dos irmãos Oliveira Ferreira, do Porto, e certamente o mais decorativo de Lisboa.

No Campo Grande, situa-se o Palácio dos Galvões - Mexias, que é tradição ter sido construído por D. João V para a Madre Paula que se suspeita ter sido sua amante; é dos mais belos exemplares da pura arquitectura Joaquina, em Lisboa.

No Lumiar, situa-se o palácio de S. Sebastião, a casa Palmela, e a Igreja Matriz, com uma nave muito interessante.

 

 

ROSSIO - GRAÇA - PRAÇA DO CHILE - OLIVAIS

Noroeste – Norte

 

Do Rossio, pode percorrer-se, a pé, a histórica entrada do Corredouro - Andaluz, onde há a assinalar o Coliseu dos Recreios, a contígua Sociedade de Geografia - antigo Museu Colonial - alguns palácios e conventos de Santa Marta e de Santa Joana. O regresso ao Rossio põe-nos no largo de S. Domingos, onde se situa a Igreja deste antigo mosteiro dominicano, ardido em 1755. O Templo de S. Domingos, com um altar posterior ao Terramoto, vale por alguns pormenores. O Palácio dos Condes de Almada, hoje do Estado, e chamado da Independência, é famoso pela sua história, e por alguns factos que se prendem com o seu passado.

Passa-se então ao Bairro da Mouraria, castiço e pitoresco, reduzido a uma artéria principal,  como as do Capelão e Amendoeira, becos curiosíssimos, casas de andar de ressalto. Neste bairro situam-se ainda a Ermida da Saúde e o edifício da Guia.

Seguindo o eléctrico toma-se, por S. Tomé, o caminho do Castelo de S. Jorge. Foi tomado aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1147 e restaurado por D. João I; é um alto miradouro esplendoroso, que domina Lisboa por todos os quadrantes do alto das suas muralhas, onze torres, quadrelas e adarves, mostrando ainda Portas históricas, como as da Traição e de Martim Moniz, e ostentando esplanadas e braços de armas, além de pormenores interessantíssimos. Perto ficam o Pátio de D. Fradique, com o Palácio Belmonte, o antigo Convento dos Loios e o Limoeiro, que foi Paço Real e dos Infantes.

Na base do Castelo, do lado Sul, fica a Igreja do Menino de Deus, e algumas casas seiscentistas. Seguindo a linha dos eléctricos, por S. Tomé, chega-se ao sítio de S. Vicente, bairro que foi aristocrático, hoje popular, com o seu mosteiro e igreja. S. Vicente é majestoso no seu templo de ampla nave, e nele se situa o Panteão Real da Casa de Bragança, nos claustros ricos de azulejos. O Campo de Santa Clara, com a sua Feira da Ladra às terças-feiras e sábados, tem um carácter muito próprio. Perto fica o templo antigo das "Obras de Sª Engrácia".

        Na Graça há que assinalar o antigo Convento e a bela igreja, e dependências (hoje quartel) onde se conservam documentos antigos, em cerâmica e arquitectura claustral. Perto fica o Miradouro do Monte de S. Gens, de amplos horizontes, e a Ermida do Monte que remonta ao século XII. A um quilómetro de distância fica o alto da Penha de França, com a sua igreja e as lendas do lagarto da Penha.

Desce-se pela linha dos eléctricos desde Sapadores até à grande Avenida Almirante Reis que parte da rua do Socorro pela Rua da Palma, e vai terminar no antigo Areeiro, hoje Praça Francisco Sá Carneiro. Esta artéria deriva, a Poente, para o Bairro da Estefânia e Campo de Sant'Ana, e aqui se situa o antigo Paço da Rainha ou da Bemposta (hoje Academia do Exército), fundado no final do século XVII pela Rainha Dona Catarina de Bragança, e cuja a capela tem alto interesse artístico, pela sua fachada e pormenores artísticos. Alguns palácios esmaltam este sítio agradável de Lisboa, entre eles o Palácio Mitelo e o Palácio Pombeiro (legação de Itália).

Retornando pelos Anjos à Almirante Reis - artéria do começo do século - encontram-se, sucessivamente, a Igreja dos Anjos, transferida em 1900 de outro local próximo do Regueirão, a Praça do Chile, a Alameda de D. Afonso Henriques com a sua Fonte Monumental e, enfim, a grande praça e bairro do Areeiro.

Da Praça do Chile, e passando pela Praça Francisco Sá Carneiro, a Avenida do Aeroporto conduz ao terminal aéreo de Lisboa. Mas antes, da Rotunda do Relógio, parte para a direita a Av. Marechal Gomes da Costa, em direcção aos Olivais e ao rio. Será no fim desta avenida que, em 1998, se realizou a Exposição Internacional de Lisboa, dedicada aos Oceanos.

 

 

BAIXA - ESTRELA - CAMPOLIDE

Norte - Noroeste – Poente

 

Se se dispensar subir o Chiado, infelizmente bastante afectado pelo incêndio de 1988, pode-se tomar o eléctrico na Praça do Duque da Terceira, e na Rua do Alecrim admira a famosa estátua de Eça de Queiróz e o exterior do Palácio Quintela-Farrobo. Na Praça de Camões o monumento ao Poeta enfrenta o Largo das Duas Igrejas, que são as de Nossa Senhora do Loreto, dos Italianos, e a da Encarnação.      

As ruínas do Carmo não ficam longe e podem ser visitadas utilizando-se o Elevador de Santa Justa, partindo da Rua Áurea (Rua do Ouro). Foi ali o Convento dos Carmelitas, fundado por D. Nuno Álvares Pereira, em 1389-1423, com igrejas de três naves, com solidez e potência, mas que não resistiu ao terramoto de 1755. Em vão os frades o tentaram reconstruir. Ficou uma ruína, com documentos históricos, mantendo-se a ossatura da capela mor.     

Pelo eléctrico chega-se ao Bairro Alto, um dos mais pitorescos e populares de Lisboa, com suas casas e velhos palácios, alguns do século XVII, ruas cheias de carácter, tradições e alguns bons edifícios: Conservatório Nacional onde foi o Convento dos Caetanos, a Igreja dos Inglezinhos de S. Pedro e S. Paulo e o edifício do antigo jornal "O Século", na rua do mesmo nome.

No Largo Trindade Coelho ergue-se a admirável Igreja de S. Roque, ou seja o Templo da Misericórdia, e que foi antes da Companhia de Jesus . É uma das riquezas sacras de Lisboa, pegado de capelas com preciosidades artísticas, entre estas a famosa capela de S. João Baptista,  construída em Itália , e que se deve à magnificência de D. João V. É o mais completo museu de arte italiana, para o qual trabalharam os melhores artistas da época, e que custou 225 mil libras esterlinas. S. Roque é uma maravilha de Lisboa só excedida pela Madre Deus.

Em S. Pedro de Alcântara situa-se o Palácio Ludovice, construído pelo famoso arquitecto da Basílica de Mafra.

Na Calçada do Combro, que conduz à Estrela, encontra-se a Igreja de Santa Catarina, rica de talhas e de pinturas, e que pertenceu ao antigo Convento dos Paulistas.

Na Calçada da Estrela, ao alto da Avenida de D. Carlos I, ostenta-se o majestoso Palácio da Assembleia Nacional, antigo convento de S. Bento da Saúde, adaptado (1833) às Cortes da Nação, e depois transformado e enriquecido; é uma mole imensa de cantaria de linhas arquitectónicas, harmónicas e proporcionadas.

Exteriores, átrios, escadarias, galerias, hemiciclos da Câmara de Deputados e Corporativa, os "Passos Perdidos", salas e dependências, claustros e jardins fazendo um delicioso conjunto, recheado de beleza e de arte na qual perduram os nomes de grandes pintores, arquitectos e e escultores (Columbano, Veloso Salgado, Simões de Almeida Sobrinho, Leandro Braga, Teixeira Lopes, Sousa Lopes, Cristino da Silva, Martins Barata, etc.).

O Largo da Estrela é uma das mais belas praças de Lisboa. Nela se ergue a Basílica do Coração de Jesus, ou da Estrela, fundada pela Rainha D. Maria I, e projecção menor do Convento de Mafra. É um monumento magnífico, com muitos espécimes de arte, sobretudo escultura, e sobre o qual assenta o formoso zimbório, que domina Lisboa desde o alto. O edifício conventual, que foi destinado a religiosos carmelitas, está ocupado por um hospital militar.

Defronte situa-se o Jardim da Estrela, (1842), dos mais belos de Lisboa.

Os eléctricos levam-nos depois a Campolide, de onde, descendo-se pela Calçada dos Mestres, se atinge o Aqueduto das Águas Livres, uma obra que desafia as construções do mundo antigo.

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DESCRIÇÃO DA CIDADE

Lisboa, capital de Portugal e da província portuguesa da Estremadura, abrange uma área aproximada de 8.744 hectares. Construída sobre sete colinas - respectivamente, Castelo, Graça, Monte, Penha de França, S. Pedro de Alcântara, Santa Catarina e Estrela -, Lisboa espraia-se em forma de anfiteatro pela margem norte do grandioso Rio Tejo, cujo porto, como se disse em tempos "é capaz de albergar todas as esquadras do mundo".
A história da cidade encontra-se sulcada pelas memórias das muitas culturas que a povoaram: cartagineses, fenícios, gregos, romanos e árabes (os mouros da Península Ibérica). No ano de 1147, a cidade foi conquistada por D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal.

CRESCIMENTO POPULACIONAL DE LISBOA

séc. XIV - 60.000
séc XVI - 100.000
séc XVIII - 130.000
1900 - 356.311
1930 - 594.390
1950 - 790.434
1970 - 782.266
1991 - 659.649

 

VARIAÇÕES DA ÁRES DA CIDADE AO LONGO DOS TEMPOS

1147 (Cerca Moura) - 0,1568 km2
1374 (Cerca Fernandina) - 1,0163 km2
1755 (Terramoto) - 6,7030 km2
1852 - 12,0834 km2
1885 - 64,99 km2
1903 - 82,45 km2

ALGUNS DOS PONTOS MAIS ALTOS DA CIDADE

Forte de Monsanto - 230,51 m
Alto da Serafina - 199,23 m
Montes Claros - 170,26 m
Campolide - 141,00 m
Rua da Artilharia 1, prédio número 102 - 138,09 m
Igreja da Estrela - 137,26 m
Palácio da Ajuda - 122,93 m
Instituto Superior Técnico - 114,43 m
Igreja de S. Vicente de Fora - 113,30 m
Castelo de S. Jorge - 112,33 m
Igreja da Graça - 80,00 m
Igreja de S. Roque - 60,00 m

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Economia

O porto de Lisboa goza de grande atividade econômica.

A indústria principal consiste na refinaria de petróleo, indústria têxtil, estaleiros, siderurgia e pesca, mais o setor terciário é o predominante.

Lisboa é a cidade mais rica de Portugal com um PIB per capita superior à média européia.

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Lisboa

 

Lisboa é a capital e maior cidade de Portugal, situada na foz do Rio Tejo. Além de capital do país, é também capital do Distrito de Lisboa, da região de Lisboa, da Área Metropolitana de Lisboa, e é ainda o principal centro da sub-região estatística da Grande Lisboa. A cidade tem cerca de 564 477 habitantes (2001), mas a sua área metropolitana tem cerca de 2,6 milhões, um quarto da população do país.

A cidade corresponde ao concelho, que é pequeno com os seus 83,84 km². A densidade demográfica sobe, portanto, a 6 518,1 hab./km². O concelho subdivide-se em 53 freguesias e está limitado a norte pelos municípios de Odivelas e Loures, a oeste por Oeiras, a noroeste pela Amadora e a leste e sul pelo estuário do Tejo. Através do estuário, Lisboa liga-se aos concelhos da Margem Sul: Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo e Alcochete. Eclesiasticamente é sede do Patriarcado de Lisboa.

 

História

Diz a lenda popular e romântica que a cidade de Lisboa foi fundada pelo herói mítico Ulisses. Recentemente foram feitas descobertas arqueológicas perto do Castelo de São Jorge e da Sé de Lisboa que comprovam que a cidade terá sido fundada pelos Fenícios cerca de 1200 a.C.. Nessa época os Fenícios viajavam até às Ilhas Scilly e à Cornualha, na Grã-Bretanha, para comprar estanho. Foi fundada uma colónia, chamada Alis Ubbo, que significa "enseada amena" em fenício, provavelmente afilhada à grande cidade de Tiro, hoje no Líbano. Essa colónia estendia-se na colina onde hoje estão o Castelo e a Sé, até ao rio, que chamavam Daghi ou Taghi, significando "boa pescaria" em fenício. Com o desenvolvimento de Cartago, também ela uma colónia fenícia, o controlo de Alis Ubba passou para essa cidade.

Com a chegada dos Celtas, estes misturaram-se com os Iberos locais, dando origem às tribos de língua celta da região, os Conni e os Cempsi.

Os Gregos antigos tiveram provavelmente na foz do Tejo um posto de comércio durante algum tempo, mas os seus conflitos com os Cartagineses por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono devido ao maior poderio de Cartago na região nessa época.

Após a conquista a Cartago do oriente peninsular, os Romanos iniciam as guerras de pacificação do Ocidente. A cerca 205 a.C., Olissipo alia-se aos Romanos, lutando os seus habitantes ao lado das legiões. É absorvida no Império e recompensada pela atribuição da Cidadania Romana aos seus habitantes, um privilégio raríssimo na altura para os povos não italianos. Felicitas Julia, como a cidade viria a ser reconhecida, beneficia do estatuto de Municipium, juntamente com os territórios em redor, até uma distância de 50 quilómetros, e não pagava impostos a Roma, ao contrário de quase todos os outros castros e povoados autóctones, conquistados. Foi incluída com larga autonomia na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida (na Extremadura Espanhola).

No tempo dos Romanos, a cidade era famosa pelo garum, um molho de luxo feito à base de peixe, exportado em ânforas para Roma e para todo o Império, assim como algum vinho, sal e cavalos da região.

 

Castelo de S. Jorge visto do Martim Moniz

No fim do domínio romano, Olissipo seria um dos primeiros núcleos a acolher o Cristianismo. O primeiro bispo da cidade foi São Gens. Sofreu invasões bárbaras dos Alanos, Vândalos e depois fez parte do Reino dos Suevos antes de ser tomada pelos Visigodos de Toledo.

Lisboa foi então tomada no ano 719 pelos mouros provenientes do norte de África. Em árabe chamavam-lhe al-Lixbûnâ. Construiu-se neste período a cerca moura. Só mais de 400 anos depois os cristãos a reconquistariam graças ao primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques e ao seu exército de cruzados, em 1147. O primeiro rei português concedeu-lhe foral em 1179. A cidade tornou-se capital do Reino em 1255 devido à sua localização estratégica. A seguir à Reconquista, foi instituída a Diocese de Lisboa que, no século XIV, seria elevada a metrópole (Arquidiocese).

Nos últimos séculos da Idade Média a cidade expandiu-se e tornou-se um importante porto com comércio estabelecido com o Norte da Europa e com as cidades costeiras do Mar Mediterrâneo. O Rei D. Dinis mandou estabelecer a primeira universidade de Portugal em Lisboa. A cidade dispunha já de grandes edifícios religiosos e conventuais.

D.Fernando I, "o Formoso", construiu a famosa muralha fernandina, já que a cidade crescia para fora das muralhas. Começando pelo lado dos bairros mais pobres e acabando nos bairros da burguesia, a maior parte do dinheiro que foi utilizado veio desta última. Esta estratégia mostrou-se conveniente, já que de outra forma a burguesia deixaria de financiar a obra.

De Lisboa partiram numerosas expedições na época dos Descobrimentos (séculos XV a XVII), como a de Vasco da Gama em 1497. A cidade reforça a sua condição de grande porto e centro mercantil da Europa.

Na época da expansão as casas de Lisboa tinham de três a cinco andares, sendo no primeiro uma loja e nos últimos as instalações dos comerciantes. Nesta época havia uma mistura de raças em Lisboa como não se via noutro ponto da Europa. Num livro sobre D. Manuel I, "o Venturoso", aparece uma imagem que representa a vida quotidiana nesta época: a uma mesa está sentada uma família, dois filhos e um casal, sentada em bancos de três pernas. A decoração da sala é simples, tem um pequeno armário de parede com janelinhas de vidro onde estão guardadas as louças de prata da família e pouco mais. A um canto vê-se uma cortina de seda, presa por aros de ouro, entreaberta. Do lado de lá da cortina parece existir uma cozinha ou adega, onde estão dois serviçais negros.

É em Lisboa que se dá a principal revolta que causou a restauração da Independência, em 1640.

No início do século XVIII, já no reinado de D. João V, a cidade foi dotada de uma grande obra pública, extraordinária para a época: o Aqueduto das Águas Livres. A cidade foi quase na totalidade destruída em 1 de Novembro de 1755 por um grande terramoto, e reconstruída segundo os planos traçados pelo Marquês de Pombal (daí a parte central designar-se por Baixa Pombalina). A quadrícula adoptada nos planos de reconstrução permite desenhar as praças do Rossio e Terreiro do Paço, esta com uma belíssima arcada e aberta ao Tejo. Ainda no século XIV e a instâncias de D. João V, o Papa concedeu ao Arcebispo da cidade o título honorífico de Patriarca.

Nos primeiros anos do século XIX, Portugal foi invadido pelas tropas de Napoleão Bonaparte, obrigando o rei D. João VI a retirar-se temporariamente para o Brasil. A cidade ressentiu-se e muitos bens foram saqueados pelos invasores. A cidade viveu intensamente as lutas liberais e iniciou-se uma época de florescimento dos cafés e teatros. Mais tarde, em 1879, foi aberta a Avenida da Liberdade que iniciou a expansão citadina para além da Baixa.

Lisboa tornou-se o palco principal de mais revoltas ou revoluções: a implantação da república em 1910, e a Revolução dos cravos que, em 1974, pôs fim ao regime totalitário que vigorava desde 1928.

 

 

Evolução demográfica

População do concelho de Lisboa (1801 – 2004)

1801

1849

1900

1930

1960

1981

1991

2001

2004

203999

174668

350919

591939

801155

807937

663394

564657

529485

 

Gentílico

Lisboeta, Lisbonense, olissiponense (em desuso)

Área

83,84 km²

População

564 477 hab. (2001)

Densidade populacional

6 518,1 hab./km²

Número de freguesias

53

Fundação do município (ou foral)

1179 (D. Afonso Henriques)

Região

Subregião

Lisboa

Grande Lisboa

Distrito

Lisboa

Antiga província

Estremadura

Orago maior:
Orago menor:

Santo António de Lisboa
São Vicente

Feriado municipal

13 de Junho

 

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Gastronomia

A gastronomia de Lisboa é influenciada pela proximidade do mar. São especialidades tipicamente lisboetas as pataniscas de bacalhau, os peixinhos da horta (bolinhos fritos de feijão verde, não de peixe) e, na doçaria, os famosos pastéis de Belém.

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Sintra